Caminho da Costa da Lagoa

O Caminho da Costa da Lagoa é um dos últimos remanescentes dos caminhos coloniais do tempo da vila de Nossa Senhora do Desterro. E mesmo com a chegada do turismo ao coração da Ilha, o antigo caminho de carro de boi segue, ainda hoje, o seu próprio curso ao ritmo do principal meio de transporte da região, os barcos. Praias lacustres, como a do Saquinho, o engenho da Vila Verde, o Sobrado de “Dona Loquinha”, além, claro, da gastronomia típica dos restaurantes da vila principal, na região da Cachoeira da Costa da Lagoa, tornam a caminhada um passeio inesquecível pela rica história de Florianópolis.

Dica Floripa Hike: Aproveite a parada na cachoeira, almoce em alguns dos restaurantes locais e volte de barquinho aproveitando um passeio completo.

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Características

Margeando a Lagoa da Conceição, pelo oeste em direção ao norte, o Caminho da Costa segue por sítios históricos, como o engenho de mandioca na Vila Verde, datado do século XIX. Mal adaptado o trigo ao solo arenoso do litoral os imigrantes açorianos descobriram, chegando à costa catarinense, a farinha de mandioca (Manihot esculenta) herdada pelos índios. Desenvolvendo as técnicas de produção logo floresceram os engenhos. Tanto que em 1797 existiam 101 engenhos de mandioca na antiga Freguesia de Nossa Senhora da Conceição da Lagoa. O da Vila Verde é o último em funcionamento na Costa da Lagoa.

No final do século XVIII a Capitania de Santa Catarina exportava a maior parte da farinha de mandioca aportada no Rio de Janeiro. De lá chegavam os escravos africanos utilizados pelas famílias abastadas da Ilha. Uma delas é apontada como a primeira proprietária da construção mais imponente ao longo do Caminho da Costa, o casarão chamado hoje de “Sobrado de Dona Loquinha”. Sua construção, com grossas paredes erguidas de pedras, barro e óleo de baleia, é atribuída a escravos por volta de 1780. Em meados desse mesmo século cerca de 1/5 da população da freguesia da Lagoa era composta por escravos.

Apesar de extenso, grande parte do Caminho da Costa da Lagoa é sombreado por árvores, com destaque para o majestoso garapuvu (Schizolobium parahyba) que colore de amarelo, com suas flores, as encostas de muitos morros da Ilha na primavera. Devido à madeira bem leve seu tronco foi utilizado, primeiramente, pelos índios em suas “igaras” e depois, durante séculos, inclusive na Costa da Lagoa, na fabricação de embarcações, dentre elas canoas de um pau só, daí ser chamado também de pau-de-canoa. Desde 1992 o garapuvu é considerado, por lei, a árvore símbolo de Florianópolis e seu corte proibido.

Na Mata Atlântica, em diferentes estágios de regeneração, o Caminho da Costa da Lagoa cruza pequenas vilas e vários riachos. Num deles uma oficina lítica do período précolonial, no leito de uma pequena cascata, é testemunha dos antigos habitantes da Ilha de Santa Catarina. Contudo, é a famosa Cachoeira da Costa da Lagoa, com sua barragem abaixo, que atrai todos os olhares, apesar do seu acesso ser, oficialmente, pela ponta leste do Caminho do Monte Verde à Costa da Lagoa. Embora a fartura de suas águas tenha passado, a cachoeira, no presente, ainda encanta turistas de todos os cantos.

Na década de 1980, após um pedido de tombamento do Caminho da Costa feito em 1981, a comunidade local, em dois plebiscitos, recusou a proposta de uma ligação por estrada ao Canto dos Araçás. Em seguida (1986) um decreto municipal tombou não apenas o Caminho da Costa, mas toda a sua região como patrimônio histórico e natural. Assim o caminho secular e a comunidade tradicional se salvaram mutuamente, junto com a cultura náutica da Costa da Lagoa. Hoje as cooperativas de barcos, que operam o transporte lacustre, e os restaurantes locais são bons exemplos do turismo de base comunitária local.

Especificações Técnicas

Início: Canto dos Araçás, Rua João Henrique Gonçalves, nº 1763.
Final: Vila da Igreja, ponto 16 (Cachoeira da Costa) do transporte lacustre.
Distância total: cerca de 5,83 quilômetros.
Trajeto: Canto dos Araçás (altitude: 1 m) até a Vila da Igreja (altitude: 1 m) pelo Caminho da Costa da Lagoa.
Duração estimada: 2 h e 53 minutos.
Desnível total de subida e descida ±226 m.
Condições específicas: percurso atendido por transporte lacustre.

Trilha pelo trecho principal

Trilhas

Caminho da Costa da Lagoa

Percorre a orla oeste da Lagoa da Conceição até a comunidade tradicional da Costa da Lagoa. É um caminho secular que passa por sítios históricos, tais como ruínas, engenhos, sobrados e casarões, além de belíssimas paisagens. Destaque para gastronomia local. Dica Floripa Hike: Aproveite a parada na cachoeira, almoce em alguns dos restaurantes locais e volte de barquinho aproveitando um passeio completo.

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Caminho dos Naufragados

Num dos cenários mais deslumbrantes da Ilha de Santa Catarina um pacote histórico completo sobre Florianópolis. Decididamente não faltam atrativos ao extremo sul da Ilha, sendo o Caminho dos Naufragados o principal meio de acesso a ele. De oficinas líticas, de antes da chegada dos navegadores europeus, a ruínas de engenhos, em funcionamento até o século passado, a Praia dos Naufragados ainda é uma joia natural ladeada por 03 Unidades de Conservação (UCs): o Parque Estadual da Serra do Tabuleiro (PEST) e as Áreas de Proteção Ambiental (APAs) do Entorno Costeiro e da Baleia Franca.
Condições específicas: Há opção de transporte de barco.

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Caminho da Gurita

A trilha liga a praia da Lagoinha de Ponta das Canas à praia Brava, seguindo pelas encostas do morro do Rapa. Utilizada por pescadores e trilheiros, é repleta de elementos marinhos durante seu percurso. Destaca-se pelas vistas panorâmicas do extremo norte da ilha. Dica Floripa Hike: Fazer a trilha no sentido Brava-Lagoinha, aproveitando para descansar em um dos restaurantes locais contemplando as águas calmas da Praia da Lagoinha.

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Trilha do Morro das Aranhas

Reconhecida, oficialmente, por lei no ano de 2018, a Trilha do Morro das Aranhas é hoje o principal acesso ao topo do antigo Morro das Flechas, de onde se vislumbra uma das vistas panorâmicas mais sensacionais de Florianópolis: um mar de água e dunas entre os morros verdejantes do norte da Ilha de Santa Catarina. Percorrendo, em parte, uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) a Trilha do Morro das Aranhas, apesar de curta em extensão, requer fôlego para vencer a declividade do pedregoso morro que separa duas das mais lindas praias da cidade: Santinho ao norte e Moçambique ao sul.

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